quarta-feira, 7 de julho de 2010

principais sintomas que atingem os portadores do transtorno de estresse pós-traumático (TEPT).

Insônia, alucinações, dificuldade de concentração, tristeza profunda, irritabilidade, medo, raiva, apatia e angústia. Esses são alguns dos principais sintomas que atingem os portadores do transtorno de estresse pós-traumático (TEPT). A doença, que muitas vezes é confundida com outros distúrbios, como depressão e síndrome do pânico, diferencia-se principalmente pelos “flashbacks” constantes.
“A vítima sente como se revisse a situação violenta e, por isso, podem ocorrer alucinações auditivas ou visuais”, explica a psicóloga Valdenice Aparecida Boza. Em outros casos, ela diz, passar por situações semelhantes a que desencadearam o trauma também faz com que a pessoa reviva os sintomas. “Se ela foi assaltada em um semáforo, se assustará quando for abordada de surpresa por qualquer pessoa no farol”, exemplifica.
“Às vezes, as lembranças são tão violentas quanto o próprio trauma”, acrescenta a psicóloga Mariana Pupo, do Programa de Atendimento e Pesquisa em Violência (Prove), da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Por isso, segundo ela, as pessoas evitam qualquer pessoa ou local que possam lembrá-las da violência. “Tudo fica em segundo plano”, afirma. O doente perde o interesse pelas coisas que gostava de fazer e, nos casos mais graves, passa a evitar todas as pessoas, assim como sair de casa e trabalhar.
Medo comum x doença
A linha que separa o desequilíbrio inerente a todos que passam por uma situação violenta do estresse pós-traumático varia muito. Mas, de acordo com especialistas, em geral, a tendência é que em um mês os sintomas se amenizem. Caso persistam, a pessoa pode estar com o transtorno.
O diagnóstico só acontece após um mês. Antes deste prazo, porém, se pode procurar ajuda. “Se os sintomas continuarem a crescer em uma semana é sinal de que a vítima está com uma reação grave ao estresse”, explica Mariana Pupo, acrescentando que é importante que ela receba auxílio para que o quadro não se desenvolva. Em 10% dos casos, segundo a psicóloga, os sintomas do TEPT só aparecem depois de seis meses a um ano.
Apesar dos homens estarem mais expostos à violência urbana, são as mulheres as maiores vítimas do transtorno. “A proporção é de duas para cada homem”, diz Mariana. Pessoas que já sofreram com depressão, ansiedade ou fobias tendem a desenvolver a doença com mais facilidade.
De acordo com o psiquiatra José Toufic Thomé, coordenador da Comissão Técnica de Intervenções em Situações de Catástrofe e Desastre, da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), no grupo mais vulnerável também estão crianças, idosos e deficientes. “As crianças ainda não têm a personalidade formada, os idosos estão mais perto da morte e os deficientes se sentem ainda mais incapacitados diante de uma ação violenta”, explica.

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