Um dos organizadores do essencial livro, para quem trabalha com desastres e catástrofes, "Intervenção em Situações-Limite Desestabilizadoras: Crises e Traumas", o Dr. José Toufic Thomé nos deu a honra de conceder uma entrevista sobre o assunto. Segundo ele:
"São cada vez mais freqüentes as situações que expõe populações inteiras às catástrofes, e nos estimulam a repensar a atuação da Psiquiatria no mundo contem-porâneo.
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A exposição prolongada de indivíduos saudáveis a acontecimentos desorganizadores naturais, tais como tsunamis, terremotos, furacões e enchentes; ou antropogênicos, como guerras, violência urbana, terrorismo provocados por grupos radicais ou pelo Estado e crises econômicas; representa condição com evidente potencial de adoecimento físico e principalmente de desequilíbrio emocional e/ou psíquico.
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A participação em uma catástrofe e mesmo as suas conseqüências mostradas através da televisão, provocam uma das mais nocivas percepções psicológicas dos tempos modernos: a constatação de que os seres humanos não são responsáveis por seus próprios destinos e que tudo o que constroem pode ser destruído inesperadamente, por acontecimentos que a humanidade não pode controlar.
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Ao vivenciar tal condição humana de impotência, os indivíduos percebem o paradoxo que existe na sociedade contemporânea, em que, seja a pequena parte mais rica e com alto grau de desenvolvimento científico e tecnológico, seja a parcela menos favorecida do mesmo planeta, ambas vivenciam de forma igual os mesmos sentimentos de desesperança e o desamparo. E em conseqüência dessa percepção da realidade, o ser humano se expõe aos sentimentos que denunciam seu vazio existencial, condição em que a vida pode passar a ser compreendida como simples ‘processo’, sem pertinência e/ou visibilidade."

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