Lévi-Strauss: razão e sensibilidade
Sylvia Caiuby Novaes
Professora do Departamento de Antropologia – USP
Professora do Departamento de Antropologia – USP
A fotografia, tal como um diário de viagem, atesta aquilo que foi e já não mais é. Registra, como o fez o fotógrafo Lévi-Strauss, um momento fugaz, uma bela índia carregando seu filho, a fumaça de um fogo que já se apagou há muito, paisagens urbanas hoje irreconhecíveis, momentos de uma viagem específica. É, como diz Susan Sontag, simultaneamente uma pseudopresença e um signo de ausência (1986:25). Mas as fotografias nos ensinam "um novo código visual, transformam e ampliam nossas noções do que vale a pena olhar e do que pode ser observado. São uma gramática e, mais importante ainda, uma ética da visão" (:13). Nesse sentido a fotografia implica igualmente conhecimento. Lévi-Strauss sabe disso. Em Tristes trópicos ele diz "... só uma cena fugaz, um canto de paisagem, uma reflexão agarrada no ar permitem compreender e interpretar horizontes que de outro modo seriam estéreis" (: 45-6).

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