quinta-feira, 8 de julho de 2010

Clipping - SVS produz vídeos sobre prevenção e controle de doenças






 




  


Nazaré conta sua experiência com as enchentes em Rio Branco


A Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS/MS) celebrou convênio com a Fiocruz para favorecer o desenvolvimento de ações de comunicação em saúde que visem à promoção, prevenção e controle de doenças transmissíveis e não-transmissíveis. O objetivo é facilitar a disseminação de conhecimento sobre a promoção da saúde e prevenção de doenças por meio de comunicação audiovisual e de outras tecnologias.

O acordo prevê a produção de cinco documentários sobre doenças negligenciadas como a esquistossomose, a leishmaniose, doença de chagas e doenças diarréicas agudas. Um outro vídeo tratará dos riscos à saúde das populações afetadas por enchentes.

No final do mês passado, o convênio começou a ser implementado, quando a equipe seguiu para as gravações do primeiro vídeo, sobre enchentes, no Acre. O município de Rio Branco foi sugerido pelo grupo que participou de oficina de trabalho, tendo em vista a vivência de experiência de êxito de trabalho conjunto entre os governos municipal, estadual e Ministério da Saúde durante as enchentes de 2006.

Sob a consultoria da técnica Dulce Cerutti, que há quatro anos acompanhou e orientou as ações conjuntas durante o alagamento em Rio Branco, e se integrou à equipe de vídeo, mostrando a experiência bem-sucedida na área de articulação e mobilização social que foi feita em Rio Branco, evitando-se doenças e mortes. Além da técnica, uma equipe de mais seis profissionais trabalhou na busca de personagens que vivenciaram as dificuldades.

Durante as gravações, a equipe de audiovisual conversou com moradores que vivem nas áreas de risco e que durante o período de enchentes mudam-se para abrigos, como foi o caso de dona Maria Nazaré. Todo ano, na época da cheia dos rios, ela, o marido e a neta deixavam a casa onde viviam.

Questionada sobre a possibilidade de mudança para um local mais seguro, a explicação é sucinta: “nasci aqui, me criei aqui, aqui é meu lugar.” Durante as enchentes, ela levava a neta de canoa para a escola. Mas o irmão cansou-se das constantes mudanças para o abrigo.

Dona Maria Nazaré conta com satisfação como sua vida melhorou depois que saiu da casa que sempre alagava, mudando-se para uma região mais alta. Apesar da distância em relação ao centro da cidade, o novo lugar lhe dá mais tranquilidade. “Agora sei que não vou mais perder meus pertences com a enchente que todo ano já é esperada”, conta o irmão de Nazaré.  Sua filha, de 9 anos, nunca vivenciou a experiência de uma enchente e explica que só viu alagação pela televisão.

O major George Pereira, da Defesa Civil do município, conta como os níveis do Rio Acre são monitorados. Duas vezes por dia, um técnico da Defesa Civil mede o nível da água e informa a todos os setores responsáveis envolvidos, por meio da Secretaria Municipal de Saúde.

Com isso, todos estão sempre a postos para não serem pegos de surpresa. Quando o rio ultrapassa os limites de seu leito e inunda as casas, o major explica que as famílias que vivem em áreas de risco são transferidas para o parque agropecuário, ressaltando que também há preocupação com os animais que pertencem a essas famílias. Eles são levados para o abrigo, em local separado dos donos, vacinados e depois devolvidos, quando os proprietários deixam o abrigo.

Durante as enchentes, as doenças que mais acometem a população são as infecções respiratórias, leptospirose, hepatite A, tétano acidental, cólera e febre tifóide, e os acidentes causados por animais peçonhentos como cobras, aranhas e escorpiões. As enchentes também podem produzir ferimentos, e traumas físicos e psicológicos.

Nesse período, as ações de educação em saúde também são mais exigidas como ferramenta de prevenção às doenças, levando orientações sobre o correto manuseio de água, alimentos e a limpeza da casa pós-inundação.

O Acre já passou por diversas grandes enchentes e, com isso, a experiência acumulada dos profissionais é de grande importância. Técnicos das Secretarias de Saúde, da Cidadania e de Defesa Civil levam informações de casa em casa e, nas escolas, as crianças aprendem sobre como cuidar da água e evitar doenças, por meio de ações práticas como o uso de hipoclorito, a limpeza de caixa d’água e da própria casa.

Mas é na Vigilância Epidemiológica do Estado que os dados são consolidados. Os números chegam dos municípios e são repassados ao Ministério da Saúde que, na detecção de surtos ou epidemias, atua junto com os gestores locais para controlar as propagações.

De 14 a 19 de junho a equipe de audiovisual grava em Recife, mostrando que a mobilização comunitária incentiva o surgimento de ações educativas  transformadoras.

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