Acre, 2006. Uma enchente em Rio Branco afeta 33.156 pessoas deixando cerca de 8.000 casas danificadas. Muitas perdas – materiais, pessoais. Ganhos? Solidariedade, a experiência de lidar com o inesperado, o emergencial, a emoção de ajudar e salvar vidas, a interseção de várias áreas profissionais visando o mesmo fim: a vida.
Hoje , 22 de Maio de 2010. Amanhã partimos rumo ao Acre, para realização de um documentário sobre enchentes, ao encontro de uma realidade que até agora só pude conhecer através de pesquisas, fotos e vídeos. Como documentarista, uma mistura de ansiedade (boa!), curiosidade e expectativa pela realidade que se descortinará – e não será aos poucos. Nosso trabalho nos exige uma atenção e olhar atentos e sensíveis a todo segundo , captar histórias de vida, emoções, experiências reais. Traduzir sentimentos em imagens é nosso grande desafio. Lidar com pessoas, perdas. Ao mesmo tempo, trabalhar com Saúde Pública, principalmente em um imenso Brasil como o nosso, tão diverso e desigual, é apaixonante e uma grande responsabilidade. Como profissional da imagem e cidadã brasileira este trabalho me leva a refletir sobre o nosso papel na sociedade e o uso social da produção audiovisual. Lidar com a rotina do sofrimento com respeito, reverência e humildade. Ajudar a disseminar experiências e informações que podem ajudar a salvar vidas.
Me sinto honrada em poder ter a chance de conhecer profissionais que fazem da saúde seu objetivo de vida. Me sinto feliz em poder trabalhar com uma equipe: Eliane, Pauliran, Gilson, Gerson, Gigi, Marcos e todos do Videosaúde que conseguem unir competência e sensibilidade e que me acolheram com tanto calor humano. Me sinto desafiada a documentar histórias reais de vida que podem ajudar ao próximo.
Assim, tenho uma palavra de ordem a todos da equipe: AVANTE!
Iêda Rozenfeld
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